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Botelho descarta que deputados usem CPI para pressionar Governo por verbas

O presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (PSB), não acredita que os deputados estaduais usem a votação das contas de Governo e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Pedaladas para pressionar o governador Pedro Taques (PSDB) a pagar as emendas parlamentares, atrasadas desde o ano passado.

Os deputados cobram ao menos o repasse de R$ 50 milhões em emendas, acordado pelo Governo no fim do ano passado, oriundos do Fundo de Auxílio Financeiro de Fomento às Exportações (FEX), para aprovação de projetos, como a Emenda Constitucional do Teto de Gastos e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2018.

Cada parlamentar tem direito a R$ 5,7 milhões, o que totaliza R$ 138,6 milhões. Segundo o secretário da Casa Civil, Max Russi (PSB), as indicações estão sendo pagas conforme o fluxo de caixa do Estado, podendo chegar a R$ 1 milhão ao dia.

Botelho confirmou que os atrasos nos pagamentos das indicações tem deixado os parlamentares insatisfeitos, uma vez que todos estão sendo cobrados nas bases eleitorais.

“É evidente que há descontentamento. O Governo precisa recompor, precisa pagar as emendas, mas isso não quer dizer que o grupo está ‘rachado’. Por isso, não acho que os deputados vão usar as contas e a CPI para pressionar o Governo. Acho que o parlamentar tem que fazer o seu trabalho, apenas”, disse o chefe do Legislativo.

Ainda de acordo com Botelho, as insatisfações dos deputados também não devem interferir na aprovação de projetos do Executivo. Ele ponderou que a criação de um terceiro bloco parlamentar, por exemplo, formado pelos descontentes com o Executivo, não significa que as votações sejam contrárias, tanto em plenário como nas comissões.

“São companheiros do mesmo jeito, pois já estavam nas comissões e votaram com o Governo nos últimos anos. Com o Bloco Independente, não vejo mudança em nada. Só vai ter mais aquele deputado ‘ser do Governo’. Eles são independentes, vão poder discutir, mas não quer dizer que vão votar contra”, considerou o presidente da Assembleia.

Ele também não vê a criação do Bloco Independente como uma ‘afronta’ ao Governo.

“Vejo como normal. Faz parte da articulação dos parlamentares. No primeiro ano de legislatura tiveram vários blocos, no segundo e terceiro apenas dois e, agora, voltou a abrir mais um bloco. Não é uma afronta ao Governo, é uma atitude normal dos parlamentares”, afirmou Botelho.

O parlamentar ainda comentou que a situação entre deputados e o Executivo pode melhorar.

"O governador disse que vai conversar com a base, criar um cronograma de pagamento das emendas e vai melhorar a situação", concluiu.

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