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Cidade de Deus tem uma morte violenta a cada 4 dias desde 2015

Desde 2015, a rotina na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, é assim: a cada quatro dias, pelo menos uma pessoa morre de forma violenta na comunidade. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP).

No início deste ano, a violênica não deu sinal de trégua: 11 pessoas foram mortas na Cidade de Deus em janeiro, apontando que a violência pode até aumentar. Fevereiro já começou com outra vítima: Natacha Aparecida Cruz, de 19 anos, atingida por uma bala perdida durante um confronto entre PMs e traficantes na noite desta quinta-feira (1º).

Os confrontos entre policiais e traficantes na comunidade nesta semana apavoraram os moradores e fizeram com que a Linha Amarela, uma das principais vias expressas do Rio, fosse interditada em dois dias seguidos. Motoristas em pânico tiveram que se deitar no asfalto para sair a linha dos tiros.

Segundo moradores, com o fim da Copa e da Olimpíada também terminou a política de proximidade dos policiais com a comunidade, declarada pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Desde então, policiais do 18º Batalhão (Jacarepaguá) fazem incursões diárias na Cidade de Deus, entre 6h e meio-dia, o que tornou os tiroteios constantes.

Confrontos:

Na quarta-feira (31), a situação atingiu seu pior estágio: no interior da comunidade, o posto de saúde fechou e fez moradores que esperavam para se vacinar contra a febre amarela correrem para casa. Fora da Cidade de Deus, a Linha Amarela teve o trânsito interrompido por três vezes ao longo do dia. A situação se repetiu na quinta (1º).

"Fiquei 24 horas, nesta quarta, para sair de casa. Não passava ônibus. É um absurdo não passar ônibus na rua principal de um bairro no Rio. Uma fila imensa para vacinar contra a febre amarela foi desfeita por causa da confusão", conta a socióloga Viviane Salles, de 27 anos, uma das moradoras ouvidas pelo G1.

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