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Em bate boca na Assembleia, opositor chama deputado de podre e sem moral

Os deputados estaduais Adauto de Freitas (Solidariedade) e Zeca Viana (PDT) protagonizaram um bate boca na sessão vespertina de terça-feira na Assembleia Legislativa. O motivo foi a defesa, por parte de um e o ataque por parte do outro ao Governo do Estado.

A discussão começou após um pronunciamento de Viana atacando o governador Pedro Taques (PSDB) por conta da manutenção do contrato entre o Detran e a empresa EIG Mercados, alvo da “Operação Bereré” deflagrada na última semana. O pedetista afirmou que o atual governador “fomenta a corrupção” no Estado. 

Em resposta, Datinho saiu em defesa do tucano, afirmando que ele tem tomado as medidas necessárias para recuperar a credibilidade do Estado. “Atuo na política de Mato Grosso há pelo menos 15 anos e nesse período pude perceber que o Governo busca transformar e fazer o que é certo colocar o Estado em uma condição de respeito perante aos demais estados da federação”. 

Para o deputado governista, o opositor deseja o retorno do modo de gestão de Silval Barbosa (PMDB), ex-governador já condenado por crimes de corrupção. “Logicamente que Pedro Taques tem vários adversários que talvez gostaria do Estado de Mato Grosso como era, na gestão passada. Não é o Estado que eu quero, o governador Pedro Taques tem feito seu papel para alavancar o Estado de Mato Grosso como tem que ser feito”, disparou.

Após a manifestação de apoio ao governo feita por Daltinho, Zeca Viana retornou a tribuna e proferiu ataques contra o colega. Ele lembrou que Daltinho era da base de Silval Barbosa.

Mas agora passa a defender “mais um governo corrupto”. “Deputado Daltinho, eu acho que Vossa Excelência não teria nem moral para defender esse governador porque na campanha o senhor era de um time e agora passou pro outro lado. Deve ser por seus ideais próprios. Outra coisa: o senhor foi um governista ferrenho no governo passado e agora o senhor vem falar em corrupção do outro governo”, respondeu.

Viana ainda levantou suspeitas sobre as intenções do deputado estadual em sair em defesa de Taques na Assembleia, já que as evidências de crimes na atual gestão são fortes. “O senhor só pode estar no mesmo time. Se está defendendo a sujeira é porque o senhor tem algo a defender. Eu falo o que vejo, o que está escrito, eu não sou demagogo e nem jogo a sujeira para debaixo do tapete”, assinalou. 

Daltinho voltou a tribuna para responder a Zeca Viana. Ele negou ter sido da base de Silval Barbosa e lembrou que sofreu retaliações por conta disso sendo inclusive acusado de cobrar propina.

Ele ainda reclamou da forma “chula” como o pedetista trata o governador e os demais colegas. “Fui o único deputado nesta Casa a ser oposição a Silval Barbosa. Sei da importância da oposição, mas penso que as palavras devem ser mais apreciadas, palavra tem força. Vossa Excelência tem todo o direito de ofender até a mim, mas com respeito a qualquer pessoa que esteja a frente de mandato, as palavras chulas não cabem. Acredito que o Governo erra sim, mas as palavras precisam ser medidas”, pediu Daltinho.

Irritado, Zeca Viana e proferiu novos ataques contra o deputado. Ele lembrou que Daltinho foi citado na delação do ex-governador Silval Barbosa por ter extorquido outros deputados para se manter no exercício do mandato, já que ocupava posição de suplente na legislatura passada. “Deputado Daltinho, o seu passado não é limpo aqui nesta Casa. O senhor sabe que foi o único parlamentar que gravou uma reunião do colegiado, e aí o senhor vem dar uma de moralista aqui. Esse é o seu perfil, não adianta falar bonito, com palavras cheias de português bonito, se por dentro é podre. Eu prefiro a palavra chula, que seja direta, clara, por isso que eu tenho liberdade para falar, e o senhor sabe bem com quem o senhor se envolveu”, termina.

Daltinho tentou retornar a tribuna. No entanto, devido a falta de quórum a sessão foi encerrada pelo presidente Eduardo Botelho (PSB).

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