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Jornalista da Gazeta insinua que Poconé foi beneficiado pela FMF

Iniciada com estádios interditados, mudanças na tabela e um WO sem explicação a Copa FMF -Seletiva para a Copa do Brasil/2019 - é o exemplo de como não se promover uma competição regional. A começar pelo seu propósito.

Criada como Copa Governador, na gestão de Blairo Maggi, o torneio surgiu para revelar talentos e preencher o calendário dos clubes, após o Campeonato Estadual, evitando o desemprego, gerando renda para os profissionais que dependem do futebol para sobreviver; são, além de atletas, treinadores, preparadores físicos, massagistas, fisioterapeutas, roupeiros, e assim por diante. 

Mas, logo de cara o primeiro ítem veio por terra; afinal, como pode uma competição seletiva para a Copa do Brasil do próximo ano utilizar apenas atletas de até 21 anos e apenas cinco por clube de até 23 anos. 

Ou seja: esses mesmos atletas, que por ventura sejam campeões da Copinha, raramente estarão no time principal que disputará a Copa do Brasil.

Na época em que foi criada a Copa tinha inclusive o patrocínio do Governo do Estado, através de uma emenda criada pelo então presidente da Assembléia Legislativa, José Geraldo Riva. 

Com o decorrer da Copa a auditoria da FMF, através de seu departamento financeiro, descobriu uma sucessão de fraudes nas prestações de contas dos clubes; afinal, o dinheiro era público e não poderia ser entregue aos dirigentes sem os devidos comprovantes de gastos. Foi um festival de notas frias, rasuradas e despesas que não condiziam com a realidade.

Passada essa fase a Copinha virou Copa FMF, mas a própria entidade sofre para promover o evento; a começar pelos clubes que indicou. Na estreia do torneio desse ano, o Mixto entrou em campo, dia 25/9, para enfrentar o Poconé Esporte Clube; no entanto o time adversário não entrou em campo. 

Com o WO o Mixto faturou 3 pontos e uma vitória de 3 x 0. Pois bem; veio a explicação da federação: “O Poconé não havia registrado os seus atletas no BID da CBF a tempo”. Na sequência outra triste surpresa. Procurado pela reportagem de A Gazeta para explicar o vexame o presidente do clube poconeano, Orivaldo Nunes Rondon, afirmou: “Não sei o que aconteceu; eu cedi o nome do clube para uns empresários de Cuiabá”, disparou. 

A revelação acachapante de Rondon foi encarada com naturalidade pela FMF, que citou o exemplo da Associação de Torcedores do Dom Bosco (Aleco), que administrou o futebol do clube recentemente. 

A entidade promotora e organizadora da competição, prometeu então enviar o caso do WO para o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), que julgaria o caso, propenso a sanções. Heis que passaram-se duas semanas e nada foi feito, com a competição em andamento. Nenhum julgamento, advertência ou notificação sequer.

Caso fosse cumprido o regulamento, em seu artigo 3º - parágrafo único, o clube seria automaticamente multado em R$ 30 mil. Já o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) vai mais além. 

Como reincidente o Poconé Esporte Clube, que foi punido com a perda de 30 pontos no Estadual deste ano, por escalar atletas irregulares, seria denunciado no artigo 203 do CBJD, cuja pena é de eliminação da competição.

De acordo ainda com a legislação maior, o clube pagaria uma multa que varia entre R$ 100 a R$ 100 mil, além da perda dos pontos em disputa.

Aí o torcedor pode se perguntar: mas por que o clube não foi punido? Orivaldo Nunes Rondon, presidente do PEC, foi um dos eleitores de Aron Dresch no pleito de maio de 2017, que o conduziu ao cargo, e é atual membro efetivo do conselho fiscal da entidade, ou seja: um dos ‘fiscais’ que aprovou as contas da FMF. Simples assim!

Oliveira Júnior é jornalista em Cuiabá e editor de esportes de A Gazeta 

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