POLÍTICA ▸ GRAMPOS

Juiz manda Taques agendar depoimento como testemunha de cabo

O juiz Murilo Moura Mesquita, da 11ª Vara Criminal Militar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, deferiu o pedido do advogado do cabo da Polícia Militar (PM) Gerson Luiz Ferreira Corrêa Junior, e convocou seis das 14 testemunhas arroladas pela defesa do militar. Entre elas, está o governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB).

Além de Pedro Taques, foram arrolados o promotor de Justiça Arnaldo Justino da Silva, Marcos Bulhões e Marco Aurélio Catsro, o coronel da PM, Antônio Ribeiro Leite, o major da PM, Lucélio Ferreira Martins Faria França, o delegado da Polícia Civil, Flávio Stringueta, além do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Zamar Taques, primo do governador. Paulo Taques foi preso duas vezes durante as investigações.

Na primeira, foi acusado de mandar grampear uma amante. Já na "Operação Esdras" foi acusado de obstrução a Justiça junto com outras 9 pessoas. 

Pedro Taques e o promotores, por terem foro por prerrogativa de função, podem escolher o local, o dia e a hora para serem ouvidos. O magistrado sugeriu ainda que eles fossem ouvidos no plenário da Justiça Militar, no Fórum de Cuiabá, nos dias 2, 9, 12 e 13 de março, a partir das 8h30.

Na ação, Gerson Corrêa é acusado de falsidade ideológica e falsificação de documento. A defesa do policial militar havia pedido a convocação de 14 pessoas, alegando isonomia processual e a ‘paridade das armas’, tendo em vista que a acusação arrolou 14 testemunhas, mas o pedido foi negado pelo Conselho Especial de Justiça.

GRAMPOLÂNDIA

O caso dos grampos ilegais tornaram-se públicos após a veiculação de duas reportagens no Fantástico, da Rede Globo – em maio e julho de 2017. Jornalistas, médicos, advogados, políticos e até uma ex-amante do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, sofreram interceptações telefônicas clandestinas que teriam sido feitas por policiais militares.

Além do coronel PM Zaqueu Barbosa – preso 9 dias após a veiculação da reportagem no Fantástico, que foi ao ar em 14 de maio de 2017 -, o cabo PM Gerson Luiz Ferreira, acusado de ser o operador da central clandestina, também teve mandado de prisão cumprido.

Já na deflagração da operação “Esdras”, no dia 27 de setembro de 2017, foram presos a personal trainer Helen Christy Lesco, o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos, além de coronel da PM, Airton Benedito Siqueira Junior, o também coronel da PM e ex-Chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, o sargento João Ricardo Soler, o ex-secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), Rogers Jarbas, além do ex-secretário da Casa Civil, Paulo César Zamar Taques. Todos são acusados de obstrução à Justiça.

Em outubro de 2017, o ministro Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell Marques, “avocou” (reivindicou) os autos dos inquéritos que tramitavam em Mato Grosso para o órgão. Após a medida, o STJ acatou o pedido de liberdade dos investigados, livrando-os da prisão ainda no mês de outubro do ano passado - com exceção Gerson Corrêa e Zaqueu Barbosa, que continuaram presos. No último dia 9 de fevereiro, um Conselho Especial de Justiça, formado por 4 coroneis da PM e pelo juiz da 11ª Vara Criminal Militar do TJ-MT, Murilo Mesquita, concederam a prisão domiciliar a Zaqueu, mantendo Gerson Corrêa preso.

Comentários