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Perito de Temer admite voz de Jajah, mas vê montagem criminosa de video em MT

O renomado perito criminal Ricardo Molina de Figueiredo avaliou como uma “montagem fraudulenta” o áudio em que o deputado estadual Jajah Neves (PSDB) revela, entre outras coisas, que repassa a verba indenizatória de R$ 65 mil ao secretário de Cidades e deputado licenciado, Wilson Santos (PSDB). Molina foi contratado por Jajah Neves para analisar o áudio.

“O vídeo é uma montagem fraudulenta materialmente. E, portanto, é um vídeo criminoso”, declarou Molina em um vídeo gravado a pedido de Jajah Neves.

O perito colocou que o áudio não tem valor jurídico e ainda pode complicar a situação do autor. “Essa gravação não tem valor nenhum. É como se fala no termo jurídico, imprestável. E, se um dia aparecer o autor dessa gravação, será processado por 2 crimes, o cibernético e o de falsidade documental”, diz o perito.

Ricardo Molina é considerado um dos principais peritos de fonética forense do Brasil. Em vídeo divulgado na tarde desta terça-feira, Jajah Neves destacou que o perito ajudou a desvendar o assassinato de PC Farias, ex-tesoureiro de Fernando Collor de Melo, e também responsável por analisar o áudio em que o presidente da República, Michel Temer (PMDB), foi gravado pelo empresário Joesley Batista.

Jajah destacou que, após a divulgação do áudio que o acusa de fraudes, solicitou um laudo “técnico e responsável” para fazer sua defesa. “Solicitei esse áudio do maior perito do Brasil. Resultado, fui vítima de um áudio fraudulento e criminoso”, assinalou.

O deputado frisou que vem sendo alvo de uma campanha para “destruí-lo politicamente”. “Essa não foi a primeira e não vai ser a última vez que vão tentar destruir a minha imagem. Mas a luta continua e ninguém vai me intimidar”, garantiu.

Jajah colocou ainda que a população que o conhece tem manifestado apoio a sua pessoa, desqualificando o gravação divulgada pelos “maldosos”. “Quem conhece minha história de vida, a minha integridade, o meu respeito a Deus e as pessoas, sabe do trabalho que presto. Com fé em Deus, vamos em busca de dias melhores, hoje e sempre”.

ÁUDIO

O vídeo com a denúncia de Jajah circulou nas redes sociais no último dia 11 de janeiro. Num dos trechos da gravação, que é narrada pelo serviço de voz feminina disponibilizada pelo, Neves teria dito que 'sustenta' a TV Mato Grosso, onde apresenta um programa, com dinheiro público.

Num outro ponto, o suplente, que ocupa temporariamente a vaga do deputado estadual Wilson Santos (PSDB), que tirou licença para chefiar a Secretaria de Estado de Cidades (Secid-MT), disse que repassa a verba indenizatória - onde o parlamentar é ressarcido por despesas com combustíveis, aluguel de imóveis, locação de veículos etc -, no valor de R$ 65 mil, ao próprio Santos, que segundo ele, “liga três dias antes dela cair”. Ele também reclamou que apesar de ser suplente “não conseguiu meter nenhuma nomeação”.

Nem mesmo o irmão do suplente, o vereador de Várzea Grande, na região metropolitana, Ademar Jajah (PSDB), escapou da ‘língua ferina’ de Jajah Neves, que disse que apesar de resolver a “vida” do parente, ajudando-o em sua campanha a Câmara Municipal de VG, ele ainda esta devendo até o “c*”, que sua eleição “lhe deu prejuízo” e que saiu “queimado” do processo – em referência ao caso dos “santinhos” utilizados por Ademar em sua campanha, mas que tinham a imagem do suplente. Um processo tramita no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) que pode decretar a inelegibilidade do parlamentar estadual.

O secretário Wilson Santos garantiu que não recebe a verba indenizatória do suplente. Ele diz que assinou documento garantindo que o benefício é utilizado pelo atual detentor da cadeira.

Já Jajah Neves havia se pronunciado apenas por meio de uma nota de esclarecimento. O tucano considerou o vídeo como “pirata” e garantiu que não repassa a verba para o secretário de Cidades. 

O Ministério Público Estadual instaurou um procedimento para investigar a gravação.

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