POLÍTICA ▸ OPERAÇÃO BERERÉ

Taques pediu investigação sobre fraudes no Detran-MT quando ainda era senador

O então senador da República e atual governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), encaminhou um ofício ao Ministério Público Estadual (MP-MT), em 2012, pedindo “providências” sobre uma denúncia que chegou ao seu gabinete no Congresso, relatando fraudes e esquemas de corrupção no Detran de Mato Grosso – a época, sob presidência de Teodoro Moreira Lopes, o “Doia”.

As informações são de um inquérito do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), que investiga alguns dos fatos relatados na denúncia anônima enviada ao gabinete do então senador, junto ao Ministério Público Estadual (MP-MT), que deflagrou na última segunda-feira (19) a operação “Bereré”. O documento que chegou a Pedro Taques já assinalava a influência do deputado estadual Mauro Savi (PSB) no órgão.

“Considerando as informações enviadas ao meu Gabinete de possíveis irregularidades no Detran-MT, colho do ensejo para encaminhar a Vossa Excelência a cópia anexa para as providências cabíveis”, disse o então senador Pedro Taques em ofício endereçado ao procurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra de Carvalho, no dia 11 de abril de 2012.

De acordo com o inquérito, o MP-MT respondeu ao ofício de Pedro Taques por meio do então promotor de justiça e secretário-geral de gabinete, Mauro Benedito Pouso Curvo, que informou que o órgão já tinha aberto um procedimento para investigar as denúncias, e que as provas já tinham sido encaminhadas às Promotorias de Justiça “com atribuição para apurá-los”. “Cuida-se de ofício n° 152/2012, da lavra do Senador Pedro Taques, pelo qual encaminha cópia de informações recebidas em seu Gabinete, acerca de possíveis irregularidades ocorridas no Detran/MT. Ocorre que fatos semelhantes aos apresentados nestes autos são objetos do procedimento já apreciados por esta Procuradoria-Geral de Justiça e encaminhados às Promotorias de Justiça com atribuição para apurá-los”, disse Mauro Curvo em documento assinado em 23 de abril de 2012.

A denúncia chegou ao gabinete do senador Pedro Taques no dia 10 de abril de 2012 por meio de um email anônimo. De acordo com o relato, o deputado estadual Mauro Savi “é o político que manda lá”, em referência ao Detran de Mato Grosso. A denúncia aponta a existência de esquemas de compras de CNH, desvios das taxas de vistoria no órgão, a cobrança de propina entre R$ 25 mil e R$ 50 mil para abertura de auto-escolas e outras fraudes com o aval e participação de Doia e de Mauro Savi.

Além do Ministério Público, Taques teria encaminhado o ofício para a Delegacia Fazendária, endereçado ao delegado Rogers Elizandro Jarbas. Posteriormente, no início da sua gestão. Jarbas foi nomeado presidente do Detran de Mato Grosso e, depois, Secretário de Segurança Pública. 

BERERÉ

Deflagrada na manhã da última segunda-feira (19), a operação Bereré, do Ministério Público Estadual e da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e contra a Administração Pública (Defaz-MT), desbaratou uma quadrilha que lavava dinheiro e desviava recursos públicos por meio de empresas que prestam serviços ao Detran-MT. O bando agia desde 2009 e teria desviado em torno de R$ 1 milhão por mês.

Os principais alvos da operação são os deputados estaduais Eduardo Botelho e Mauro Savi, ambos do PSB, além do ex-deputado federal Pedro Henry. As investigações tem como base os depoimentos de colaboração premiada do ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o “Doia”, além do empresário Rafael Yamada Torres, outro delator do esquema.

Na última terça-feira (20), o Eduardo Botelho, que foi sócio da Santos Treinamentos, admitiu que conhecia a fraude e se disse “arrependido” de não ter deixado o quadro societário assim que soube do esquema, em 2011. 

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