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28/11/2017 às 23:37:56 Enviar Imprimir
Fórum propõe ampliar mil km de ferrovia em MT com 3 opções de traçado
Dois projetos de ferrovias para Mato Grosso, debatidos no Fórum Ferrovias e Integração dos Modais, realizado em Nova Mutum (a 269 km de Cuiabá) nessa semana, representam a ampliação de 1 mil km de linhas férreas em território mato-grossense e vão mais do que triplicar a atual malha ferroviária de 300 km existente no Estado. Os investimentos necessários a esses dois projetos totalizam um aporte de R$ 17,7 bilhões.

Os 1 mil km de trilhos a serem construídos em Mato Grosso, foco do debate em Nova Mutum, representam a soma de 300 km de parte da Ferrogrão que ficam no Estado com a ampliação de cerca de 700 km da atual ferrovia já em operação no Sul mato-grossense. A Ferrogrão - que vai ligar Sinop e Miritituba (PA) - tem extensão total de 1,1 mil km, ficando a maior parte no Pará. Já os 700 km em estudo para ampliação representam a extensão da ferrovia Senador Vicente Vuolo (antiga Ferronorte), de Rondonópolis a Sorriso, passando por Cuiabá.

Um estudo realizado pela Rumo, concessionária que administra o trecho de 300 km da Vicente Vuolo entre Alto Taquari e Rondonópolis e que já está em operação, sugere 3 traçados e aponta os prós e contras das 3 alternativas para fazer a interligação dos trilhos entre Rondonópolis e a Capital. 

O primeiro traçado tem 731 km, passa por Santa Elvira e vai contar com um ramal até a Capital, já contabilizado nessa distância.  A segunda proposta de traçado, com 738 km, passa por Chapada dos Guimarães e também necessitará de um ramal para interligação com Cuiabá. A terceira alternativa, única em que o ramal entre as estações ferroviárias não seria necessário, estabelece um traçado de 671 km, que apresenta a vantagem de passar mais próximo a Cuiabá. No entanto, é apresentado como desvantagem o maior impacto ambiental que será causado pelas obras.

O diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, pontua ao RD News que o alongamento dos dois traçados que necessitam de ramal para chegar a Cuiabá não representa um fator impeditivo para as obras e que o projeto não é prejudicado por causa disso. “Um terminal ferroviário não tem que, obrigatoriamente, passar dentro de uma cidade. Aliás, a recomendação é que não passe. O terminal de Rondonópolis da própria (ferrovia) Vicente Vuolo está 20 km distante da cidade. Em uma capital como Cuiabá pode ficar até 40 km distante, sem problemas”, explicou.

Edeon lembra também que o projeto tem a ideia de beneficiar toda a Baixada Cuiabana, que compreende Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Planalto da Serra, Nobres, Poconé, Nossa Senhora do Livramento e outros municípios.

O projeto de extensão da ferrovia deve custar cerca de R$ 5 bilhões e aumentará em 8 milhões de toneladas a capacidade de escoamento anual do modal. As obras poderiam ser concluídas em 4 anos e atualmente o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa um pedido da Rumo Logística - empresa responsável pela Vicente Vuolo - para prorrogar a concessão da Malha Paulista, questão preponderante para que o prolongamento em Mato Grosso saia do papel.

Ao debater a viabilização das ferrovias, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, sugere que os trilhos em Mato Grosso poderiam ser custeados em parte por um fundo formado pela entrega de uma porcentagem das safras futuras dos produtores rurais do Estado. Com isso, os trabalhadores do campo, que utilizarão as linhas férreas, se tornariam sócios do modal junto com as empresas concessionárias.

Ferrovia Vicente Vuolo

A Ferrovia Vicente Vuolo, única em operação em Mato Grosso, funciona desde 1998 e escoa cerca de 15 milhões de toneladas por ano, principalmente de produtos agrícolas como soja e milho. Ela tem terminais em Alto Taquari, Alto Araguaia, Itiquira e Rondonópolis e segue até o município de Santos (SP), onde os insumos são exportados para outros países pelo porto.

Ferrogrão

A Ferrovia EF-170, mais conhecida como Ferrogrão, está planejada com orçamento de R$ 12,7 bilhões e suas obras devem ser executadas por 5 anos. O modal teria capacidade para escoar 50 milhões de toneladas em um trecho entre Sinop e Miritituba (PA), outra cidade portuária. Uma consulta pública está sendo realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Engajado na mobilização, o prefeito de Nova Mutum Adriano Pivetta atua para despertar o interesse da iniciativa privada e, ao mesmo tempo, provocar o setor público sobre a necessidade de ampliar os modais de transportes. "Não podemos nos curvar diante da crise econômica. É neste momento que temos que encontrar alternativas para mudar a realidade. E entendo que Nova Mutum está preparada para ser integrada aos trilhos da ferrovia", afirma.

Adriano defende, ainda, que a construção de um Porto Seco em Nova Mutum beneficiará toda a região, "Estamos trabalhando nesse projeto com um olhar de futuro para toda a região que está inserida no polo regional de Nova Mutum", diz.

Fico e Transcontinental

Além disso, Mato Grosso tem outro projeto para receber trilhos ferroviários. Atualmente sem nenhum tipo de discussão ou andamento, a Ferrovia da Integração Centro-oeste (Fico) já teve determinados detalhes divulgados por seus proponentes.

Integrando os trilhos de um projeto maior chamado de Ferrovia Transcontinental – ou Bioceânica -, a Fico teria cerca de 1,6 mil km. O traçado sairia de Vilhena (RO) e chegaria até Uruguaçu (GO), sendo que a maior parte desse trecho (1,5 mil km) ficará dentro de Mato Grosso.

“Precisamos da Fico, que liga Campinorte (GO) a Vilhena (RO), passando por Água Boa, Lucas do Rio Verde e Brasnorte. Os chineses estão interessados na Fico”, disse o governador. Taques também defende com veemência a chegada dos trilhos a Cuiabá. “Esta é a ferrovia da união. Alguns dizem que não é viável passar por Cuiabá, mas algumas coisas não se medem apenas pela economia. Muitas vezes, a ferrovia vai fazer com que o desenvolvimento econômico chegue”, ressaltou.


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