BEM VINDO / POCONÉ - MT, 06 DE DEZEMBRO DE 2023
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Fazendas e obras de Mato Grosso aparecem na lista suja do trabalho escravo
LISTA SUJA

Mato Grosso possui 12 empregadores na nova atualização da "lista suja" do trabalho escravo, termo popular para o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. O novo levantamento foi divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (TEM) nesta semana.

As ações fiscalizatórias identificaram graves violações à legislação trabalhista, incluindo condições degradantes de alojamento, ausência de água potável, falta de instalações sanitárias adequadas, inexistência de equipamentos de proteção individual, irregularidades na contratação e descumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho.

Conforme o MTE, a atualização reúne casos de trabalho análogo à escravidão identificados pela Inspeção do Trabalho entre 2024 e 2026. Os 12 registros mato-grossenses correspondem a cinco pessoas físicas e sete pessoas jurídicas. As ações da Auditoria-Fiscal do Trabalho resultaram no resgate de 60 trabalhadores em todo o estado.

A maioria das ocorrências aconteceram em fazendas no interior de Mato Grosso. Também há casos em obras em Cuiabá.

Um dos cenários que mais chama atenção é o de uma fazenda na zona rural de Nova Maringá (a 400 km de Cuiabá), onde 19 trabalhadores foram resgatados. Eles eram submetidos a condições degradantes em atividade de extração, corte, carregamento e transporte de madeira.

A fiscalização constatou que os trabalhadores estavam alojados em barracos de lona e em um contêiner sem condições mínimas de habitabilidade. Não havia fornecimento de água potável, instalações sanitárias adequadas, áreas de vivência ou locais apropriados para alimentação e higiene. A água utilizada para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupas era retirada diretamente de um córrego próximo aos alojamentos.

Outra situação aconteceu em Alto Taquari (a 479 km de Cuiabá), onde 12 trabalhadores foram resgatados de uma fazenda da cidade. A fiscalização verificou que a maioria dos trabalhadores havia sido recrutada em outros estados, especialmente Maranhão e Minas Gerais, por intermediadores de mão de obra. Apenas um dos trabalhadores possuía registro formal. Também foi identificado um adolescente exercendo atividade proibida para sua faixa etária.

Os alojamentos apresentavam graves problemas estruturais, ausência de condições adequadas de higiene, instalações elétricas improvisadas, falta de equipamentos de proteção individual, inexistência de treinamentos obrigatórios e ausência de assistência médica regular. Foram constatadas ainda jornadas excessivas, exposição a riscos graves de acidentes e inexistência de programa de gerenciamento de riscos para as atividades de corte de madeira e produção de carvão vegetal.

Já em Sorriso (a 420 km de Cuiabá), dez trabalhadores estavam em situação análoga à escravidão em uma empresa de pisos e construções na cidade, que se encontravam alojados em um ônibus adaptado utilizado como moradia durante a execução de obras.

A inspeção revelou condições precárias de higiene, conforto e segurança. O veículo possuía banheiro sem vaso sanitário e sem pia, apresentava infestação de baratas, armazenamento inadequado de alimentos, instalações elétricas improvisadas e risco constante de choques elétricos e incêndio. O esgoto do ônibus era despejado diretamente na via pública.

Na capital mato-grossense foram registrados dois casos. Um deles em uma casa, onde uma pessoa foi resgatada. O segundo aconteceu na região da Avenida Carmindo de Campos, no bairro Dom Aquino. Outro registro foi em uma obra de um condomínio fechado em Chapada dos Guimarães, onde seis trabalhadores foram resgatados no local.

Confira todos os casos abaixo:

MT–235, zona rural, Comodoro – 2 pessoas resgatadas

Fazenda em Alto Taquari – 12 pessoas resgatadas

Residência em Cuiabá – 1 pessoa resgatada

Fazenda na zona rural de Nova Xavantina – 1 pessoa resgatada

Avenida Carmindo de Campos, Bairro Dom Aquino, em Cuiabá – 1 pessoa resgatada

Empresa de pisos e construções em Sorriso – 10 pessoas resgatadas

Obras de Condomínio no bairro Bom Clima, em Chapada dos Guimarães – 6 pessoas resgatadas

Fazenda na zona rural de Pontal do Araguaia – 2 pessoas resgatadas

Fazenda na zona rural de Nova Maringá – 19 pessoas resgatadas

Sítio na zona rural de Juína – 1 pessoa resgatada

Fazenda em Chapada dos Guimarães – 1 pessoa resgatada

Fazenda na zona rural de Nova Bandeirantes – 4 pessoas resgatadas

Como funciona a "lista suja"

O cadastro existe desde 2003. A inclusão ocorre após processo administrativo no qual são assegurados o contraditório e a ampla defesa. O nome do empregador só passa a integrar a lista depois de uma decisão administrativa irrecorrível que confirma a ocorrência de trabalho em condição análoga à escravidão.

Segundo o MTE, a atualização do cadastro é feita semestralmente. A publicação anterior ocorreu em 6 de abril de 2026.

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo Sistema Ipê, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, desenvolvido em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Somente em 2026, contando os processos fiscalizatórios ainda em andamento, as ações da Auditoria Fiscal do Trabalho já resultaram no resgate de 92 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em Mato Grosso. Entre as vítimas resgatadas estão cinco mulheres e dois menores de idade. (Com informações da assessoria)

Fonte: RD News
Notícia Postada em 10/10/2026 as 15:40