BEM VINDO / POCONÉ - MT, 06 DE DEZEMBRO DE 2023
Poconet
Flávio Bolsonaro dividia conta com suspeito de lavar dinheiro do INSS, indicam emails
SUSPEITAS

Emails obtidos pela PF (Polícia Federal) em uma das fases da operação Sem Desconto, que investiga os descontos indevidos contra milhões de aposentados do INSS, indicam que o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL, dividia uma conta no banco Santander com o advogado Willer Tomaz — ambos negam.

Tomaz foi alvo de busca e apreensão da PF em agosto, por suspeita de lavar dinheiro desviado das aposentadorias para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado. O advogado já tinha sido preso em 2017, no inquérito sobre propina paga pela JBS — a denúncia, contudo, foi rejeitada depois por falta de provas.

Na investigação sobre o INSS, a PF acessou documentos armazenados em uma conta do iCloud, serviço de armazenamento em nuvem da Apple, e encontrou emails trocados entre o escritório de advocacia de Willer Tomaz e o banco Santander.

O tema de uma dessas trocas de mensagens era uma conta relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que tem Willer Tomaz como sócio. A firma é uma das empresas do advogado listadas pela PF na investigação sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Datado de 22 de maio de 2025, o email foi enviado por Fayla Zulmira Menezes, funcionária de Willer Tomaz. Na mensagem, ela solicita ao Santander que fossem desassociadas do "usuário master" ligado ao advogado a conta "3219********29 - Flávio Bolsonaro" (os números da conta foram suprimidos por questões de privacidade).

Em resposta ao email, no mesmo dia 22, o Santander confirma que a conta atrelada a Flávio Bolsonaro havia sido excluída. O movimento ocorreu praticamente um mês após a deflagração da primeira fase da operação Sem Desconto, que apura desvios de até R$ 6,3 bilhões de milhões de aposentadorias por meio de descontos associativos indevidos.

Segundo o site do banco Santander, mais de um usuário pode acessar uma conta de PJ (pessoa jurídica). O banco divide esses usuários entre "master", que pode executar todas as operações da conta, e "secundários", que só podem fazer funções permitidas pelos usuários master.

Na prática, isso permite que mais de uma pessoa ou empresa possa movimentar valores disponíveis para uma determinada conta. O email de Fayla faria referência a usuários, entre eles Flávio Bolsonaro, que podiam administrar uma conta PJ ligada à empresa de Willer Tomaz.

Fonte: Uol
Notícia Postada em 10/10/2026 as 16:06