Argentina perde mais de 32 mil empresas durante governo do presidente Javier Milei
Fonte: Da Redação 11/10/2026 ás 15:11:05 121 visualizações

Mais de 32 mil empresas empregadoras deixaram de constar nos registros da Argentina desde o início do governo do presidente Javier Milei. Em julho de 2026, o país contabilizava 480.067 unidades com pelo menos um trabalhador formal registrado, uma redução de 32.290 em relação a novembro de 2023, último mês da gestão de Alberto Fernández. Os dados foram divulgados pela Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) e publicados pelo jornal La Nación em reportagem reproduzida por O Globo neste domingo (11).

A retração corresponde a 6,3% do total registrado no fim do governo anterior. A queda também persiste há 18 meses consecutivos. Apenas entre junho e julho deste ano, a Argentina perdeu 948 empregadores registrados.

Na comparação com julho de 2025, a redução foi de 15.475 empresas, equivalente a 3,1%. Já em relação a dezembro de 2025, quando havia 489.749 unidades empregadoras, a diminuição chegou a 9.682 registros nos primeiros sete meses de 2026.

Os números apontam uma deterioração no universo de empresas que mantêm trabalhadores formalizados, em um cenário de dificuldades econômicas e retração do emprego privado.

Segundo Guido Zack, diretor da área de Economia da Fundar, a queda tem intensidade e duração incomuns na série histórica.

O economista afirmou que, para encontrar um número semelhante ao de julho de 2026 — 480.067 empresas empregadoras —, é necessário voltar a julho de 2007. A redução atual também supera, em velocidade, a observada durante a pandemia de Covid-19. Em fevereiro de 2020, antes do início da quarentena, a Argentina tinha 508.187 empregadores registrados. O número chegou a 486.782 em setembro de 2021, quando atingiu o ponto mais baixo daquele período.

Zack atribui parte das dificuldades enfrentadas pelas empresas à combinação de custos elevados, carga tributária, despesas logísticas e condições de financiamento. Na avaliação dele, esses fatores prejudicam inclusive negócios com produtividade suficiente para competir no mercado.

A SRT, no entanto, faz uma ressalva sobre a interpretação dos dados: a redução no número de empregadores registrados não comprova, isoladamente, o encerramento definitivo de cada empresa. Os números também podem refletir reorganizações, alterações cadastrais, mudanças no quadro de funcionários e modificações na modalidade de contratação.

Mercado de trabalho também perde vagas

A retração no número de empregadores é acompanhada pela diminuição dos postos de trabalho formais no setor privado.

Dados do Sistema Integrado Previdenciário Argentino (SIPA) mostram que o país perdeu 10.814 empregos formais privados em junho, na comparação com maio. Em relação a junho de 2025, a redução chegou a aproximadamente 121 mil vagas.

O total de trabalhadores registrados no setor caiu de 6,216 milhões para 6,096 milhões em um ano.

A tendência continuou em julho. Segundo a Pesquisa de Indicadores Trabalhistas da Secretaria do Trabalho, o emprego recuou 0,03% naquele mês, acumulando sete meses consecutivos de retração. Nos primeiros sete meses de 2026, a queda foi de 0,6%. Na comparação com julho do ano anterior, o recuo chegou a 1,1%.

Os indicadores mostram que a redução no número de empresas empregadoras ocorre paralelamente à perda de vagas formais, embora os dados, por si só, não permitam estabelecer uma relação direta entre cada empresa que deixa os registros e os empregos eliminados.

Atividade econômica recua e previsão de crescimento cai

A economia argentina também apresentou contração em julho. De acordo com o Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE), do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a atividade caiu 2,9% em relação a junho, considerando a série com ajuste sazonal.

Na comparação com julho de 2025, a queda foi de 1,4%. Apesar disso, no acumulado dos primeiros sete meses de 2026, o indicador ainda registrou crescimento médio de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Diante dos resultados, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) foram revistas para baixo. O Banco Mundial reduziu a estimativa de crescimento da Argentina em 2026 de 3,6% para 2,1%. Para 2027, a previsão passou de 3,7% para 3%.

As estimativas do Relatório de Expectativas de Mercado (REM), divulgado pelo Banco Central da República Argentina, também apontaram uma desaceleração, com projeções de crescimento entre 1,2% e 1,5% para 2026.

Embora setores como energia, mineração, hidrocarbonetos e agronegócio registrem investimentos e expansão, os dados sobre empregadores, vagas formais e atividade econômica indicam dificuldades em outras áreas da economia argentina.

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