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Após sofrer com incêndios, animais são alvos de caça ilegal no Pantanal de Mato Grosso

Depois da tragédia vivida no Pantanal com incêndios que devastaram a região, voluntários que estão resgatando animais sobreviventes, se deparam agora com a ação de caçadores.

Um vídeo foi feito mostrando as carcaças de animais encontrados. Os jacaré estão entre as principais vítimas. Os caçadores matam os bichos, arrancam a cauda, que tem mais valor comercial, e deixam pra trás o resto da carcaça.

A escassez de recursos naturais causada pelo fogo continua.

O biólogo Hugo Fernandes explica que isso é preocupante, já que o fogo causou a morte e dispersão de muitos animais.

"Os maiores impactos ainda vão acontecer, como a disputa do território.

Neste momento, é muito grave uma situação dessas", afirma.

Um outro alvo da caça é a onça pintada. No município de Poconé, a 104 km de Cuiabá, os fiscais do Ibama se depararam com a cabeça do animal pendurada em uma árvore.

O animal foi abatido em uma das ilhas de apoio aos bichos.

O biólogo Gustavo Figueiroa, do SOS Pantanal, explica que a caça prejudica o equilíbrio ecológico da região.

"Principalmente quando estamos falando de um animal do topo da cadeia alimentar, como é a onça-pintada, que controla outras populações. É triste ver que ainda tem pessoas que matam esses animais que são tão importantes para o equilíbrio ecológico, não só do Pantanal, mas de outros biomas", diz.

O Ibama fez uma vistoria na região e encontrou três armas sem o registro de posse, que foram apreendias.

Os donos foram conduzidos para a delegacia para prestar depoimento.

As armas e os projéteis encontrados no local onde os animais foram mortos foram levados para a Polícia Técnica em Cuiabá e irão passar por uma perícia que vai identificar se os disparos foram feitos pelas armas apreendidas.

Caso contrário, a polícia vai continuar investigando até chegar aos responsáveis.

Os fiscais do Ibama ainda não conseguem precisar quantos animais foram abatidos por caça ilegal neste período crítico do fogo.

Os crimes estão acontecendo nas áreas onde os voluntários deixam alimentos por causa da concentração de animais que sobreviveram às queimadas.

O agente ambiental Roberto Cabral Borges afirma que o crime parece como retaliação à predação de rebanho.

"As fazendas da região são de criação de gado. Além disso há denúncias relativos ao problema", explica.

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