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Descobertos por pesquisadora mineira, textos e poemas inéditos de João Cabral vão estar em livros

Textos e poemas inéditos de João Cabral de Melo Neto, descobertos por uma pesquisadora mineira, farão parte de dois livros comemorativos do centenário do escritor.

A “Poesia completa” e a “Prosa reunida” devem ser lançados ainda no primeiro semestre, pela editora Alfaguara. O poeta era natural do Recife, nasceu em 6 de janeiro de 1920 e morreu em 9 de outubro de 1999.

Edneia Ribeiro descobriu os inéditos quando fazia pesquisas para sua tese de doutorado “Um Museu de duas faces: poesia de circunstância em João Cabral de Melo Neto”, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O material foi encontrado no arquivo do Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, entre 2016 e 2018.

“Não foi um trabalho simples, fruto do acaso, como diria o próprio João Cabral”, fala.
A pesquisadora, que atualmente trabalha como professora no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) em Montes Claros, tinha como objeto de pesquisa os poemas de Cabral que falavam de outros escritores. Inicialmente, analisou correspondências trocadas pelo poeta com amigos como Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes.

“Terminei o trabalho com as cartas e passei a vasculhar materiais em outras seções, como manuscritos de originais de livros, da prosa e da produção intelectual de João Cabral”, explica a pesquisadora. Somente o inventário analítico com a relação do material possui quase 600 páginas.

Em 2016, Edneia Ribeiro identificou três poemas, 20 textos em prosa e uma conferência inédita com cerca de 30 laudas. A última, chamada “A poesia brasileira”, continha anotações escritas à mão por João Cabral, que indicavam ter sido “feita no Recife,1954, nunca publicada.”

Posteriormente, encontrou outros 40 poemas no espólio de João Cabral, que fica sob os cuidados da Casa de Rui Barbosa. Ela conta que ainda fez levantamentos no Gabinete Real de Leitura, na Fundação Biblioteca Nacional e no Museu da Imagem e do Som.

“Entre as dificuldades enfrentadas no desenvolvimento desse tipo de trabalho, destacam-se a vasta quantidade de material a ser consultado e o fato de os documentos inéditos encontrarem-se nas mesmas pastas em que há outros já publicados. Isso demanda bastante paciência e familiaridade com a obra do poeta”, fala.

Os mais de 10 anos como estudiosa de Cabral e a exigência do orientador – o poeta e professor Sérgio Alcides – para que dominasse as obras do autor são apontados por Edneia Ribeiro como fundamentais para identificar o material que ainda não era de conhecimento público.

“Ainda hoje me questiono: Como foi possível? Por que eu? Como se procurasse respostas para algo tão extraordinário, releio o material que transcrevi e sinto uma pitada de orgulho por ter dado essa contribuição à Literatura Brasileira.”

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