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Justiça nega pedido de candidato para derrubar Ibope no estado de Mato Grosso

A coligação “Avança Mato Grosso”, encabeçada pelo candidato ao Senado no Estado, Euclides Ribeiro (Avante), tenta proibir a divulgação de uma pesquisa do Ibope Inteligência, publicada na última quarta-feira (4). Ribeiro aponta supostas irregularidades na metodologia aplicada pelo instituto. De acordo com o levantamento, ele somou apenas 2% das intenções de voto.

Segundo uma representação interposta pela coligação, o Ibope colocou numa mesma faixa de entrevistados “eleitores que vão desde o analfabetismo até o ensino médio completo”. Na avaliação do grupo político, as informações sobre intenções de votos não seriam precisas sem a divisão dos entrevistados de acordo com seu grau de instrução.

“A falta de estratificação detalhada da faixa do eleitorado pesquisado pode macular o real resultado a que se deveria chegar a pesquisa em questão, uma vez que inclui “no mesmo bolo” faixas de eleitores com nível de instrução que percorrem do analfabetismo até o ensino médio completo, não se analisa a fundo a real discricionariedade do entrevistado em relação à faixa educacional a que de fato ele – eleitor – pertence”, diz trecho da representação.

A coligação “Avança Mato Grosso” pede liminarmente a proibição da divulgação da pesquisa, além da aplicação de multa ao Ibope Inteligência. O caso está sob análise do juiz auxiliar da propaganda Armando Biancardini Candia. Em decisão proferida ainda na quarta-feira (mesmo dia da divulgação da pesquisa) ele analisou que não há “ilegalidade aparente” para proibir a publicação do levantamento nos meios de comunicação, e sim apenas uma “divergência de interpretação”.


“Aparentemente a questão dos autos não é de flagrante ilegalidade à norma cogente, mas de possível divergências de interpretação dos métodos de pesquisa, os quais merecem maiores esclarecimentos para se chegar à decisão segura, bem como, sem dúvida alguma uma maior dilação probatória, o que não se comporta neste momento”, explicou o juiz eleitoral.

Armando Biancardini Cadia também não identificou “ilicitude” na metodologia aplicada pelo Ibope Inteligência.

“Do ponto de vista técnico da metodologia estatística, que deve, ante à natureza técnica da finalidade da norma jurídica,  aparentemente não há qualquer ilicitude na formulação da quesitação do questionário da pesquisa eleitoral impugnada quanto à captura dos dados relativos ao nível de escolaridade do entrevistado”, analisou o magistrado.

O caso continua a tramitar na Justiça Eleitoral. O juiz auxiliar da propaganda pediu a manifestação do Ministério Público Eleitoral (MPE), além de determinar a notificação do Ibope para defesa.

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