POLÍTICA ▸ DITADURA

Manuela e Benedita defendem a cassação de Eduardo Bolsonaro (PSL) por citar novo AI-5

A ativista Manuela DÁvila (PCdoB-RS) e as deputadas federais Benedita da Silva (PT-RJ) e Rosa Neide (PT-MT) defenderam a cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) por apologia a ditadura militar e a tortura. As três participaram da mesa de abertura da 7ª Edição do Festival de Cinema Feminino Tudo Sobre Mulheres, realizado nesta Aquinta (31), no Cine Teatro Cuiabá.

Filho do presidente da República  Jair Bolsonaro (PSL), Eduardo afirmou em uma entrevista que, se a esquerda “radicalizar” no Brasil, uma das respostas do governo poderá ser “via um novo AI-5”.  O parlamentar deu a declaração ao falar sobre os protestos de rua que estão acontecendo em outros países da América Latina. A entrevista  do  líder do PSL na Câmara dos Deputados, foi divulgada  hoje  no canal do YouTube da jornalista Leda Nagle.

O Ato Institucional 5 (AI-5) foi baixado no dia 13 de dezembro de 1968, durante o governo de Costa e Silva, um dos cinco generais que governou o Brasil durante a ditadura militar (1964-1985).  Considerado um dos atos de maior poder repressivo tomados durante a ditadura,  resultou na cassação de mandatos políticos e suspensão de garantias constitucionais.

Poucas horas após sugerir um novo AI-5, Eduardo postou um vídeo em que seu pai defende o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. As imagens são do julgamento do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na ocasião,  Bolsonaro, que ainda era deputado federal,  dedicou seu voto “pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”.

Repúdio

Manuela D’Ávila, que é ex-vereadora, ex-deputada federal, ex-deputada estadual, concorreu a vice-presidente da República na chapa do petista Fernando Haddad em 2018  e já aparece como primeira colocada  para  disputa pela Prefeitura de Porto Alegre no ano que vem, afirmou que ao defender um novo AI-5,  Eduardo desrespeita o juramento que fez ao assumir o mandato parlamentar. Defende ainda que é preciso dar um basta no que chama de bravatas de Bolsonaro e seus filhos.

“Na minha interpretação, os nossos partidos devem ir ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pedir a cassação do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro por não estar cumprindo aquilo que prometeu, ou seja, honrar a Constituição brasileira  ao fazer apologia a ditadura militar. Essa é a posição que os nossos partidos deliberaram conjuntamente na Câmara. Será um pedido conjunto. O Brasil precisa mais do que nunca reagir a esse tipo de bravata que os filhos do presidente e o presidente são pródigos em fazer. Precisamos mostrar para a juventude e ao nosso povo que esse país não tolera a ditadura, não tolera o autoritarismo”, pontuou.

Aos 77 anos,  a petista Benedita da Silva, que  já exerceu mandatos de vereadora, vice e governadora do Rio de Janeiro e sucessivos mandatos de  deputada federal, ressalta que as ameaças da Família Bolsonaro são constantes e servem para desviar o foco dos assuntos de interesse da nação. Além disso, pediu a unidade de todos que têm compromisso com a democracia.

 “Essas ameaças têm sido constantes. Nós estamos na Câmara dos Deputados assistindo essas ameaças constantemente, acompanhadas dos fake news que são produzidos para desviar o foco daquilo que a nação toda quer saber. O Brasil pergunta ‘onde está o Queiroz?’, ‘quem matou Marielle?’ e exige  uma explicação sobre o derramamento de óleo no Nordeste. E nós estamos acompanhado essas ameaças feitas por eles, pelo  presidente da República e pela sua família. O que eles estão contestando em relação a oposição ou quem fala contra é porque estamos querendo saber é o que está sendo noticiado pelo The Intercept. Por isso, as  ameaças ao Supremo e ao Congresso. O que os contraria é que estamos debatendo aquilo que o governo quer esconder. Menos de 24 horas antes dessa ameaça, ele nos ameaçou que caso chegassem aqui as manifestações que acontecem no Chile, eles teriam que tomar providências”, alertou a petista. 

Ex-secretária estadual de Educação, deputada federal no primeiro mandato e  única parlamenta de esquerda da bancada mato-grossense, Rosa Neide afirma que a oposição respeita o resultado das urnas que colocou Bolsonaro na presidência da República. Entretanto, pondera que o Palácio do Planalto não pode ser extensão do ambiente familiar nem o governo ficar sujeito às confusões causadas pelos filhos do chefe do Executivo.

“Nós respeitamos a eleição, mas não podemos aceitar que transformem o Palácio do Planalto num espaço familiar, numa cozinha da sua residência e faça com que a família induza essas situações que acontecem todo o dia no país. Cada dia que a população acorda, fica aguardando qual será a nova bomba, a nova cortina de fumaça que os ocupantes do Palácio do Planalto vão colocar no país. Nós não vamos aceitar que o deputado Eduardo Bolsonaro ameace proibir que imprensa fale do presidente ou aponte os erros do governo, senão vai ter um novo AI-5. Isso é uma ameaça a democracia, ao estado democrático de direito. Nossos partidos estão no caminho da legalidade tomando todas as providências possíveis, mas a maior providência é a indignação da população. Estamos fazendo o que é possível, mas a população precisa defender um país livre e democrático para todos. Não queremos ditadura. Quando observamos o Supremo sendo ameaçado, o Congresso sendo ameaçado de ser  fechado a qualquer hora, o governo mostra o quer fazer do Brasil”, concluiu.

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