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Morte de Servidora em Poconé vira destaque nacional na imprensa

A servidora pública Lailse Monique da Silva Carmo, 33, foi morta pelo ex-namorado, que confessou o crime em mensagens temporárias do Whatsapp.

O crime gerou forte comoção social na cidade de Poconé - uma das portas de entrada do Pantanal mato-grossense -, onde a vítima era benquista. O assassinato de Lailse ganhou manchete em vários sites de notícias de expressão nacional, entre eles o Uol. Frio e cínico, o assassino, ex-namorado da vitima, ainda postou nas redes sociais; "Matei o amor de minha vida". A frase causou forte onda de indignação na pequena cidade, distante cerca de 120 Kms de Cuiabá.

Confira matéria, na íntegra, do UOL:

A servidora pública Lailse Monique da Silva Carmo, 33, foi morta com quatro tiros, um deles no rosto, quando saía de uma festa em um bar de Poconé (MT), na madrugada de ontem. Horas depois do crime, o ex-namorada dela, o eletricista Pedro Vicente Neves, 37, usou as mensagens temporárias do Whatsapp (disponíveis por 24 horas) para confessar: "eu matei meu amor da minha vida".

Pedro foi preso no mesmo dia após ser encontrado pela Polícia Militar em uma quitinete da cidade. Quando percebeu a presença dos policiais, segundo os agentes, o eletricista tentou tirar a própria vida com a arma que teria sido utilizada no crime.

O delegado Marlon Luz, responsável pelo inquérito, explica que, após negociação, ele decidiu se entregar. Pedro não aceitava o fim do relacionamento com a servidora pública, que terminou há dois meses.

Ouvimos outras pessoas sobre esse fato, eles afirmaram que a vítima não o denunciou para não prejudicá-lo, principalmente na esfera do trabalho. Nos dois meses de término, se encontraram algumas vezes de forma pontual, mas ela decidiu terminar mesmo, foi a partir dessa rejeição que ele acabou praticando o crime.Marlon Luz, delegado

O delegado ainda não sabe precisar por quanto tempo Pedro e Lailse mantiveram um relacionamento, mas conta que, desde que ela decidiu pelo término, as ameaças e perseguições por parte do eletricista teriam se tornado frequentes.

 "Na madrugada do crime, ele relata que a viu beijando outra pessoa em uma festa. O crime aconteceu na frente do bar. Ela tinha estacionado a moto na frente do lugar e foi aproveitar a festa. Quando saía, foi morta a tiros. Morreu do lado da motocicleta".

Além do rosto, a vítima foi atingida com dois disparos no abdômen e um no tórax. Antes de matar a ex-namorada, mensagens enviadas para Lailse mostram que o eletricista insistiu em encontrá-la e chegou a pedir para que os dois fossem jantar juntos.

"Durante o dia, como a festa foi na madrugada, ele procurou ela algumas vezes. Chamou para jantar, por mensagens conseguimos constatar essa tentativa de encontro". A investigação ainda busca saber se Pedro seguiu a servidora pública. A mulher já teria sido vítima de outras agressões durante a relação.

O prefeito de Poconé, Atail Marques do Amaral, lamentou a morte da servidora. "Lailse prestou os seus serviços no Departamento Municipal de Recursos Humanos e Departamento Municipal de Tributos, sempre de forma muito exemplar, onde conquistou o carinho, respeito e admiração de todos que estavam à sua volta".

Após  ceifar a vida da ex-namorada, o eletricista tentou se matar duas vezes. Além da tentativa que resultou na negociação com os policiais militares, Pedro tentou se enforcar com uma cueca quando já estava detido na delegacia.

De acordo com o delegado, ele demonstrou indiferença pela vida de Lailse durante o interrogatório e chegou a afirmar: "agora que fiz, vou pagar".

No início estava um pouco transtornado, chorando bastante. Em seguida, no interrogatório, usou o direito de ficar em silêncio. Naquele momento, notamos uma certa indiferença, não demonstrava remorso, achamos um pouco frio.Marlon Luz, delegado

A vítima deixou três filhos, mas eles não eram fruto do relacionamento com Pedro. Informações preliminares apontam que o eletricista mantinha relações com outras mulheres além da vítima.

O suspeito vai responder por homicídio com qualificadora em feminicídio.

Pedro será representado pela Defensoria Pública, segundo as autoridades policiais. O nome do defensor, no entanto, ainda não foi apontado nos autos. O espaço segue aberto e será atualizado tão logo os seus representantes legais se manifestem.

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