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Preço do gás natural a distribuidoras pode subir até 35% a partir de maio

O preço final do gás natural vendido pela Petrobras a distribuidoras, que atendem os consumidores na ponta, deve ter um salto de 18% a 35% a partir de maio, projetou um técnico da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia) nesta terça-feira (16).

O aumento, que levaria os custos a níveis bem superiores aos vistos antes da pandemia de coronavírus, deve-se principalmente à recente valorização das cotações do petróleo no mercado internacional e ao índice inflacionário IGP-M, associado à parcela de transporte nos contratos, segundo a entidade.

Os contratos da Petrobras com as distribuidoras preveem reajustes trimestrais e tiveram forte recuo no ano passado, com impactos da Covid-19, embora depois tenham voltado a subir. O impacto para os consumidores finais ocorre posteriormente, quando do reajuste tarifário das distribuidoras.

O coordenador de gás natural da Abrace, Adrianno Lorenzon, destacou que o novo aumento ainda virá em momento de recrudescimento da crise da Covid no Brasil, que pode impactar negativamente a atividade industrial --diversos Estados têm anunciado novas medidas restritivas para reduzir a velocidade de disseminação da doença.

"Para as empresas onde o gás natural representa uma parcela muito significativa nos custos, é um cenário de tempestade perfeita", afirmou.

"É um aumento de custos bastante significativo, e que pode não terminar no 1° de maio, pode piorar no segundo semestre", acrescentou Lorenzon, ao comentar projeções que apontam para uma continuidade da trajetória de recuperação dos preços do petróleo no terceiro trimestre.

Pelos cálculos da Abrace, o preço final do gás da Petrobras para as distribuidoras poderia subir 35% para contratos novos (NMGs) e 18% para contratos antigos (TCQ) no reajuste de maio.

Essa variação seria causada por salto de 23,14% na parcela de transporte, associada ao IGP-M, e aumentos de 17% a 38,4% no valor da molécula de gás, sendo o valor maior índice para os contratos novos.

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