POLÍTICA ▸ PANDEMIA

Secretário Estadual de Saúde de Mato Grosso culpa população por mutação do vírus Flurona

O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo (DEM), apontou como ‘algo previsto’ esta desastrada parceria da epidemia de gripe H3N2 com a pandemia da Covid-19, resultando em situações onde as duas doenças ocorrem ao mesmo tempo. Já apelidada de “flurona”, mistura de coronavírus com flu (gripe, em inglês).

A declaração foi feita durante sua participação no programa ‘Roda de Entrevista’, veiculado na TV Mais, afiliada à TV Cultura Cuiabá, nesta quinta-feira (6), onde Figueiredo atribuiu os casos de coinfecção no Estado com o comportamento da população.

O vírus está na torcida para que a gente continue se comportando como estamos, como se a pandemia já tivesse acabado e como se aglomerar fosse algo normal na pandemia

 
“Influenza não é algo novo, já existia. Hoje temos uma nova mutação do vírus, que é a H3N2. A covid-19, por exemplo, tem novas variantes e, possivelmente, teremos outras. O comportamento nosso predispõe a isso. Enquanto a população do mundo não entender que somente o ser humano pode ser capaz de interromper isso, levando a sério as medidas sanitárias, senão vamos continuar vendo novas versões, como esta da Flurona - que junto com a covid e as síndromes gripais -, já vêm superlotando as unidades de saúde da capital e em vários municípios”, disse o secretário.

Vale lembrar que Mato Grosso já possui registros de dupla infecção pelo vírus da Covid-19 e gripe. Somente em Cuiabá, sete casos foram registrados por flurona, até a última terça-feira (4). Além disso, o Estado também passa por um aumento de novos casos positivos para a Covid-19, após as festividades de fim de ano.

“Depois do Réveillon, em Chapada, por exemplo, houve um crescimento de 633% o número de infectados pela covid-19 e a tendência é aumentar, até porque existe um prazo para o surgimento dos primeiros sintomas e logicamente vai testar positivo. Isso já era anunciado que aconteceria”, disse Gilberto.

Figueiredo ainda citou a questão do negacionismo [grupos que se opõem às vacinas e  as outras medidas de enfrentamento da Covid-19, como o uso de máscaras e álcool em gel], como agravante deste processo, que tem tomado proporções alarmantes. Pontuando que a negação, claro, minimiza a gravidade da doença. Sobretudo, eleva o boicote às medidas preventivas contra o vírus.

“Percebemos que o negacionismo é a atitude mais criminosa que pode ter no país. Hoje, 38 países estão vacinando as crianças e nós estamos protelando a decisão, como se conseguíssemos nos livrar da pandemia sem imunizar as crianças. Por mais que a covid-19 tenha uma letalidade muito pequena entre as crianças, elas são agravadas, também vão a óbitos e também transmite para os adultos”, finalizou.

Boletim desta sexta-feira(07), da Secretaria de Estado de Saúde, aponta 1.601 novas confirmações de casos de coronavírus no Estado e oito mortes em decorrência da doença, em 24 horas, já sinalizando uma perigosa elevação nestes registros, após as festas de final de ano liberradas em alguns municípios de Mato Grosso.

 Ainda de acordo com a SES dos 562.649 casos confirmados da Covid-19 em Mato Grosso, 5.366 estão em isolamento domiciliar e 542.611 estão recuperados. E, ao todo, Mato Grosso já chegou na marca dos 14.081 óbitos em decorrência do vírus.

Comentários