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Vereador não vai comprar carro com auxílio

O vereador de Cuiabá, Sargento Vidal (PROS), vem sendo questionado por declarações recentes de que deixaria seu carro pessoal, uma Renault Duster, para uso do gabinete na Câmara Municipal e, com o auxílio para transportes pago com dinheiro público, financiaria um novo carro pessoal.

Em entrevista ao ReporterMT, Vidal explicou que não se trata disso. No entanto, a situação não melhora.

De acordo com o vereador, o contrato da Câmara Municipal para aluguel de carros venceu e, desde então, os gabinetes estão sem veículo. Dessa forma, foi aprovado um auxílio-transporte de R$ 5 mil para que os parlamentares aluguem ou comprem um carro para atendê-los.

No dia 1º de fevereiro, Vidal pretende colocar um carro próprio para atender o gabinete, uma Duster pela qual já pagou R$ 40 mil e ainda faltam 20 parcelas. Sem ela, o parlamentar pretende comprar um outro veículo para seu uso pessoal, o que afirma que vai fazer com dinheiro de seu salário.

No entanto, as 20 parcelas que restam para pagar a Duster, vai fazer com o dinheiro público do auxílio. Segundo ele, será a título de “aluguel” do carro para ele próprio.

“Eu ia dar essa Duster num outro veículo. Como aconteceu essa situação aí, o que que eu faço? Como eu tenho um Siena 2012, eu deixei essa Duster no gabinete, vou manter ela no gabinete para serviço de gabinete e com esse R$ 5 mil vou manter o pagamento dela, que no caso seria um aluguel ou o financiamento, o que for, porque tem que manter esse carro lá”, afirmou.

Sargento Vidal explicou à reportagem que o auxílio-transporte cai na conta dos vereadores e eles podem resolver "o problema dos veículos" da forma que quiserem.

"Se o vereador não quiser colocar nenhum carro no gabinete, é problema dele. Posso pagar Uber, se quiser. Eu vou pagar essas parcelas e o carro vai continuar lá, eu estou disponibilizando o carro para o gabinete. Os R$ 5 mil é pago pra ele resolver o problema de transporte do gabinete e ele pode fazer o que quiser", disse, neste domingo (30).

De acordo com o parlamentar, a minuta da lei que aprovou o auxílio não prevê que haja contrato em nome da Câmara ou de pessoas jurídicas, apenas que os vereadores resolvam, como quiser, o uso de transporte. Inclusive, a prestação de contas é feita apenas por relatório.

"Eu posso comprar um veículo ou financiar e ele vai sair no meu nome, não da Câmara. Essa lei é um auxílio-transporte para o vereador e como ele vai usar o dinheiro é problema dele. Ele vai resolver o transporte pro gabinete dele. Esse R$ 5 mil eu posso fazer como eu quiser, desde que eu resolva o problema de transporte", enfatizou.

O ReporterMT tentou contato com o Tribunal de Contas do Estado e com o Ministério Público para verificar a legalidade da atitude do vereador, no entanto, por ser domingo, não obteve sucesso. 

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