Um dos adolescentes suspeitos de envolvimento no latrocínio do assessor parlamentar Sergio Barbieri, 73 anos, afirmou em depoimento que estava em um relacionamento amoroso com a vítima há cerca de dois anos. Barbieri teve o corpo encontrado no dia 28 de janeiro, na Transpantaneira, em Poconé (a 104 km de Cuiabá).
A informação consta na decisão que revogou as prisões do empresário Ezequiel Padilha de Souza Ferreira, 29 anos, e de Wéverton César de Brito, de 19 anos. No trecho do depoimento, o menor conta que reconheceu Barbieri em um terreiro de umbanda. O relacionamento tinha conivência dos pais do menor.
Além disso, também afirmou que o assessor tinha comprado uma moto Honda CG 160 Start ano 2023/2024 para ele. No entanto, tinham restado dívidas de nota promisória, em nome do pai do menor, sendo que a primeira venceu em janeiro deste ano, no valor de R$ 1 mil, que deveriam ser pagos para Barbieri. A data do vencimento era próxima ao dia do crime.
No dia da execução, o menor marcou encontro com Sérgio Barbieri na zona rural de Poconé, avisou ao parlamentar que iria levar um amigo e que todos passariam o final de semana juntos.
Em depoimentos iniciais, o adolescente alegou que Ezequiel Padilha tinha atirado três vezes contra o assessor e Wéverton César atirou mais duas vezes. A execução seria por "queima de arquivo". Após várias versões, o menor assumiu a autoria do crime.
No inquérito concluído pela Polícia Civil, o delegado entendeu que os dois menores sempre mudam de versão nos depoimentos "conforme a conveniência". “Nota-se que desde o início das investigações os menores conduzem suas versões conforme a conveniência e os desdobramentos fáticos, inventando uma nova versão a cada confronto com fatos inquestionáveis”, diz trecho.
Por conta disso, a juíza Katia Rodrigues Oliveira revogou as prisões de Ezequiel Padilha e Wéverton César.
“Ocorre que, com a juntada de através de diligencia realização pela Policial Civil, restou demonstrado até o presente momento que os investigados possam não ter participado do crime, visto que, as declarações dos menores alteram toda a trama inicialmente pregada, tal como em diligência da Autoridade Policial para confrontar e confirmaram a participação dos investigados resultaram infrutífera, alteando assim, os indícios de autoria anteriormente demonstrados”, afirma.
O caso
O homicídio de Sérgio Barbieri veio à tona de dia 28 de janeiro, após um familiar acionar a polícia relatando que assessor havia ido a Poconé acompanhado de um homem e que deveria retornar no mesmo dia, o que não ocorreu.
Durante buscas no Centro de Poconé, os militares avistaram o veículo e questionaram populares se haviam avistado o dono do automóvel. Os militares então deram início às rondas e localizaram os suspeitos. Na revista pessoal, foram localizados a carteira, relógio e celular da vítima.


