A Polícia Civil indiciou o carpinteiro José Marcos da Silva Lima pelos crimes de homicídio qualificado - feminicídio - ocultação de cadáver e estupro de vulnerável majorado contra a sua sobrinha Yara Salvador Matiello, 9 anos. O inquérito foi finalizado nesta quinta-feira (28) e encaminhado ao Poder Judiciário.
O procedimento foi presidido pelo delegado José Getúlio. O crime de violência sexual foi majorado devido ao fato do investigado ser tio da menina. O suspeito encontra-se preso preventivamente na Cadeia Pública de Peixoto de Azevedo (700 km de Cuiabá) e já pediu para ser transferido a Cuiabá por medo de ser linchado. O crime ocorreu na cidade de Terra Nova do Norte (670 km de Cuiabá).
No crime de homicídio, o delegado incluiu três qualificadoras: homicídio por asfixia ou por qualquer meio insidioso ou cruel, por dificultar ou impossibilitar a defesa da vítima e contra mulher por razões e da condição do sexo feminino - feminicídio.
No Poder Judiciário, o procedimento será redistrivuído para o Ministério Público (MPMT), que decidirá por quais crimes irá denunciar o suspeito. Na sequência, o Tribunal de Justiça (TJMT) deverá aceitar a denúncia e José Marcos passará a ser réu.
A Polícia Civil aponta que Yara estava viva pouco antes de ser enterrada em uma cova rasa de um sítio da cidade. Em seu depoimento, o carpinteiro disse que, ao perceber que a sobrinha ainda estava mexendo as mãos, deu enxadada na cabeça dela terminar de executá-la.
Depois de confessar o crime e apontar onde enterrou o corpo da sobrinha, o homem deu detalhes da morte da criança. José Marcos disse que, na noite do dia 19, às 21 horas, saiu do sítio que trabalha e foi à cidade para buscar pasta base. Ele alegou à autoridade policial que só se lembra de acordar por volta das 3 horas, de quarta-feira (20), com a sobrinha morta ao seu lado na cama.
O suspeito disse que pegou a vítima pelos braços e levou até mato para enterrar. Ao chegar ao local, ele começou a cavar um buraco quando percebeu que a menina mexeu a mão. Na seguida, ele disse ter dado uma pancada com a enxada na cabeça dela para “terminar de matar”.
Para os investigadores, José Marcos sufocou a vítima e ela ficou desacordada. O suspeito pensou que ela já estaria morta e, por isso, iniciou o processo de “sepultamento”.
José Marcos ainda acrescentou que após enterrar a sobrinha retornou para casa. Ele ainda teria dito que levantou às 4:30h para trabalhar e que por volta das 5 horas viu que haviam conversas com a sobrinha no Whatsapp e decidiu apagar. Ao ser questionado pelo delegado, ele disse que não chegou a ler as conversas.
Às 7 horas, José Marcos foi procurado pelo seu patrão que o informou que Yara havia desaparecido e que a mãe dela estava suspeitando dele.
Diante disso, ele foi à delegacia com a irmã, mãe da vítima, para saber o que estava ocorrendo. Em conversas com José Getúlio, ele resolver contar a verdade e confessou o crime e onde havia enterrado o corpo.


