Flávio Bolsonaro dividia conta com suspeito de lavar dinheiro do INSS, indicam emails
Fonte: Uol 10/10/2026 ás 16:06:01 70 visualizações

Emails obtidos pela PF (Polícia Federal) em uma das fases da operação Sem Desconto, que investiga os descontos indevidos contra milhões de aposentados do INSS, indicam que o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL, dividia uma conta no banco Santander com o advogado Willer Tomaz — ambos negam.

Tomaz foi alvo de busca e apreensão da PF em agosto, por suspeita de lavar dinheiro desviado das aposentadorias para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado. O advogado já tinha sido preso em 2017, no inquérito sobre propina paga pela JBS — a denúncia, contudo, foi rejeitada depois por falta de provas.

Na investigação sobre o INSS, a PF acessou documentos armazenados em uma conta do iCloud, serviço de armazenamento em nuvem da Apple, e encontrou emails trocados entre o escritório de advocacia de Willer Tomaz e o banco Santander.

O tema de uma dessas trocas de mensagens era uma conta relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que tem Willer Tomaz como sócio. A firma é uma das empresas do advogado listadas pela PF na investigação sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Datado de 22 de maio de 2025, o email foi enviado por Fayla Zulmira Menezes, funcionária de Willer Tomaz. Na mensagem, ela solicita ao Santander que fossem desassociadas do "usuário master" ligado ao advogado a conta "3219********29 - Flávio Bolsonaro" (os números da conta foram suprimidos por questões de privacidade).

Em resposta ao email, no mesmo dia 22, o Santander confirma que a conta atrelada a Flávio Bolsonaro havia sido excluída. O movimento ocorreu praticamente um mês após a deflagração da primeira fase da operação Sem Desconto, que apura desvios de até R$ 6,3 bilhões de milhões de aposentadorias por meio de descontos associativos indevidos.

Segundo o site do banco Santander, mais de um usuário pode acessar uma conta de PJ (pessoa jurídica). O banco divide esses usuários entre "master", que pode executar todas as operações da conta, e "secundários", que só podem fazer funções permitidas pelos usuários master.

Na prática, isso permite que mais de uma pessoa ou empresa possa movimentar valores disponíveis para uma determinada conta. O email de Fayla faria referência a usuários, entre eles Flávio Bolsonaro, que podiam administrar uma conta PJ ligada à empresa de Willer Tomaz.

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